Painel
representando o Infante
D. Henrique a fazer a entrega do plano das descobertas
ao capitão da Armada
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Tal
como Martins Barata, Sousa
Lopes
seguiu o programa cultural do Estado Novo, gizado pela Política do
Espírito e pela Campanha do Bom Gosto de António Ferro, na
concepção das pinturas parietais do Salão Nobre. Estas
ilustram episódios dos Descobrimentos, exaltando, uma vez mais, os
grandes feitos da História de Portugal e os valores patrióticos,
com um colorido inspirado na arte popular e um rigor formal, de contornos
bem vincados, que obedecem ao programa estético de combate aos arrojos
modernistas.
Ausentes os momentos menos agradáveis das Descobertas, foram aqui
registados e enaltecidos os de glória que, se assim não foram
na realidade passada, o tempo e a política das realizações
se encarregaram de "fabricar as ilusões", como afirmara
Ferro.
Em termos de conjunto, as pinturas estão separadas pelos pilares adossados
à parede, condicionalismo que acabou por facilitar a tarefa de representar,
num mesmo espaço, diferentes acontecimentos, o que obrigaria ao estabelecimento
de uma difícil continuidade narrativa, ou a um discurso pictórico
com terminologia demasiado medievalizante.
Assim, solucionado a priori o primeiro problema da composição,
a Sousa Lopes coube apenas o trabalho de imaginar e traçar cada episódio.
Não tendo assinado qualquer dos painéis, é, contudo,
possível que tenha pintado o da cabeceira direita (O Infante D. Henrique
faz a entrega do plano das descobertas ao capitão da Armada), sendo
que este apresenta um colorido, uma luminosidade e uma delimitação
das formas que o distingue dos restantes e o aproxima das obras de cavalete
do pintor. Neste painel, a composição foi construída
em torno da suposta imagem do Infante, retirada dos Painéis de São
Vicente de Fora, uma vez mais presente como referência basilar e oficial
da pintura portuguesa dos anos 40 do século XX.
A participação de Joaquim
Rebocho
também ficou no anonimato, podendo, no entanto, ser-lhe atribuídas
as pinturas dos vãos da janelas. Domingos
Rebelo
assinou e datou de 1945 as pinturas Tomada de Ceuta, Bartolomeu Dias dobrando
o Cabo das Tormentas, depois Chamado da Boa Esperança, Tomada de Malaca
por Afonso de Albuquerque e Vasco da Gama recebido pelos emissários
do Samorim.