Parlamento dos Jovens - Secundário


Edição 2018 (2018/2019)

Escola

Escola Secundária José Estevão, Aveiro

Exposição de motivos

As alterações climáticas estão no limiar da irreversibilidade. Diversos são os fatores que levaram ao ponto no qual nos encontramos, nomeadamente a libertação de gases com efeito de estufa (GEE) no setor dos transportes, na indústria química, na produção de plásticos com polietileno e no seu deterioramento. Após a descoberta do impacto dos clorofluorocarbonetos na camada de ozono, estes, que são usados na refrigeração, foram proibidos pelo Protocolo de Montreal em 1987. Porém, a sua substituição por hidrofluorocarbonetos (HFCs) e perfluorocarbonetos (PFCs) revelou-se altamente prejudicial. A título de exemplo, o HFC-134a é 1430 vezes mais ativo no aquecimento global do que o clássico GEE, o dióxido de carbono (CO2). Em adição, no ano 2016 houve a libertação de aproximadamente 3 000 000 toneladas de HFCs, sendo que apenas cerca de 60 000 toneladas de CO2. Apesar de haver atualmente legislação acerca da utilização destes compostos químicos na refrigeração, esta não se tem revelado suficiente. No setor dos transportes, com o acesso da população ao transporte rodoviário individual, houve um aumento exponencial das emissões de GEE. No ano de 2016, o contributo do setor dos transportes para a emissão de gases causadores do aquecimento global foi de aproximadamente 10%. São indispensáveis alternativas mais ecológicas nesta área. Sendo que uma organização deficiente das redes de transportes ecológicos não incentiva a utilização das mesmas, é necessário o investimento nestas para a promoção do seu uso. A consciencialização acerca deste problema é fundamental para a adoção de comportamentos mais sustentáveis. Ainda na área dos transportes, para evitar o tradicional asfalto, foram desenvolvidas ciclovias com cimento fotocatalítico. Estas têm na sua constituição dióxido de titânio, que através de reações químicas decompõem os GEE em partículas mais simples e inofensivas para o ambiente. Outra possibilidade, sabendo que é expectável que a produção de plástico duplique nos próximos 20 anos, seria a construção de ciclovias com plásticos reciclados, permitindo uma melhor gestão e tratamento de resíduos, de acordo com uma economia circular, um tema integrante da política climática. Estudos realizados acerca da produção de metano e etileno, a partir de vários tipos de plástico, concluíram que os plásticos representam uma fonte até então desconhecida de GEE. Na investigação procederam à incubação de diversas variedades de plástico em água do mar e exposição à radiação solar ambiente por vários dias, para medir a libertação dos gases referidos. O polietileno tereftalato, presente em garrafas de plástico, mostrou ser o terceiro mais ativo na libertação dos GEE. Apesar de ser impossível quantificar os gases emitidos exclusivamente pelas embalagens de plástico, qualquer fim dado às embalagens não recicladas tem impacto negativo nas alterações climáticas.

Medida proposta 1.:

Excluir progressivamente do mercado os compostos de refrigeração hidrofluorocarbonetos e perfluorocarbonetos, introduzindo opções alternativas e atribuindo capital para investigação acerca dos compostos capazes de refrigeração com um menor potencial de aquecimento global.

Medida proposta 2.:

Promover uma rede mais organizada e acessível de transportes ecológicos, através da construção de ciclovias com material fotocatalítico ou material reciclado.

Medida proposta 3.:

Implementação / incrementação de sistemas de gestão e tratamento de resíduos, através de instalação de equipamentos em zonas estratégicas e acessíveis à população, como por exemplo, o sistema de taras retornáveis de garrafas de plástico, ecopontos e centros de compostagem.