Parlamento dos Jovens - Secundário


Edição 2018 (2018/2019)

Escola

Escola Secundária Emídio Garcia, Bragança

Exposição de motivos

O tema das alterações climáticas num país como Portugal, ainda há poucas décadas ruralizado, pobre, sem indústrias de monta (químicas, siderúrgicas, refinadoras petrolíferas, termoeléctricas ou outras), não é devidamente difundido, e compreendido, pela população. Mesmo tendo em conta o manifesto desenvolvimento conseguido após a adesão à União Europeia em 1986, a opinião pública portuguesa continua a interessar-se por outros assuntos considerados mais importantes para a resolução sempre adiada de problemas estruturais para o coletivo nacional. Esquecendo-se que se há problema que mereça o estatuto de definidor de uma estratégia de futuro é sem dúvida este. Sabem-no uma parte considerável da juventude e pouco mais. A linguagem hermética utilizada para explicar o aquecimento global na comunicação social, associada a um atávico desinteresse pelos assuntos da ciência pode justificar algumas coisas mas não tudo. A verdade é que Portugal olha para os países onde foi concretizada a segunda revolução industrial – e aproveitados os respetivos lucros dessa época de grande florescimento económico – não se reconhecendo nesse grupo e, desse modo, sentindo-se eticamente dispensada de qualquer compromisso com as reparações ambientais devidas. Só que a globalização a que hoje se assiste não tolera decisões solitárias a propósito de assuntos que há muito deixaram de ser pertença apenas de alguns. Tudo toca a todos. O que acontecer com a fusão dos lençóis de gelo e dos glaciares polares mais cedo do que tarde vai ter repercussões, por exemplo, na Península Ibérica. Por isso é que os agentes políticos têm que de uma vez por todas unirem-se à volta de uma estratégia comum. Definindo metas na substituição dos combustíveis fósseis pelas energias alternativas. E, antes de tudo o resto, fomentando o exercício inteligente por parte da opinião pública sobre este tema. Como? Só há uma via possível para se atingir este desiderato: através da escola ministrando informação consistente às novas gerações. Na disciplina de Cidadania e nas outras a propósito das matérias viradas para o futuro. Dando conta aos jovens das novas formas de viver em harmonia com a natureza e com eles próprios. Fazendo com que nada seja imposto mas antes escolhido. Passando assim o testemunho de um tempo que está a terminar para outro que está a começar.

Medida proposta 1.:

Como a escola é o último suporte de origem e fim coletivos, capaz de passar uma mensagem unificadora desde que pertinente, propomos que nos currículos das disciplinas se procure atingir uma maior literacia científica, nomeadamente à volta do tema das alterações climáticas. Como a teoria associada à prática quotidiana tem um outro valor no processo da aprendizagem, propomos que, nas cantinas escolares, seja sempre disponibilizado um segundo menu, este de natureza vegetariana ou então vegana.

Medida proposta 2.:

Considerando que nas opções em termos de infraestruturas de transportes preteriu-se as alternativas ferroviárias em relação às rodoviárias;que o transporte coletivo tem sido mal administrado, sendo substituído pelo transporte próprio; que a utilização nos automóveis de combustíveis fósseis constituiu uma escolha dos decisores políticos; Propomos que volte a haver investimento nas ferrovias, que os transportes públicos sejam fomentados e que a compra de carro elétrico seja facilitada pelo Estado.

Medida proposta 3.:

Levando em conta que a utilização de energias fósseis contribui decisivamente para o aquecimento global, sugere-se que Portugal volte a apostar na produção e desenvolvimento das energias alternativas, incentivando-se a compra por parte dos particulares e dos empresários, através de comparticipação estatal, de formas novas e saudáveis de abastecimento energético.